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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ditando tendências e definindo novos modelos de gestão de varejo


   Nos dias 9, 10 e 11 de janeiro de 2011 ocorreu, em Nova York, EUA, a maior convenção anual sobre varejo do mundo, a NRF (National Retail Federation). Esta convenção é a de maior influência em estratégias de varejo no mundo, ditando tendências e definindo novos modelos de Visual Merchandising. Este ano, além de ser comemorada a 100ª edição, a convenção foi marcada pela introdução, quase que obrigatória, da tecnologia como meio de auxiliar o varejo na gestão e promoção de vendas.
   A Migrate Company, uma empresa de tecnologia que busca estar sempre em constante atualização, participou deste evento sendo representada pelo Diretor de Produtos, Glauber C. Weddigen, que embarcou na sexta-feira, dia 7, com o grupo J2B & Cherto, dos empresários Marcelo Cherto, João Batista Ferreira, Manoel Alves Lima, Ricardo Pastore e Dagoberto Hajjar. O objetivo da participação foi o de conhecer e trazer para o Brasil o que há de mais novo em questão de tecnologia que possa ajudar as empresas brasileiras neste novo desafio.

Glauber Weddigen - Diretor de Produtos da Migrate Company


   Nesta edição, a maior delegação de estrangeiros foi brasileira, com mais de 1.200 participantes, dentre eles empresários de grandes empresas de varejo, como o grupo Pão de Açucar. Em todos os dias da feira mais de 50 mil pessoas passaram pelo Javits Center, o centro de convenções no qual foi realizado a NRF 2011. 
   Conforme Glauber, o que mais impressionou, neste caso, é que quem achava que os brasileiros participariam do evento como meros aprendizes, pode comprovar o grande potencial de crescimento do varejo brasileiro.
- Por ser um momento pós-recessão nos Estados Unidos e por estarem em um processo de recuperação da economia, estão em busca de soluções para alavancar as vendas no comércio, observa. 
   Isso pode ser comprovado na primeira palestra que aconteceu no domingo, dia 9, sob o tema de sustentabilidade, que foi ministrada pelo grupo Pão de Açucar e pela GS&MD - empresa de consultoria e serviços voltados a varejo, marketing e distribuição – e lotou o centro de convenção, deixando muita gente de fora.


   Para Glauber, isso demonstra o grande interesse dos americanos nos assuntos ligados ao Brasil, revelando o grande potencial que temos para revolucionar a jeito de se fazer varejo em nosso país e alavancar ainda mais a economia, desde que adaptados a um novo tipo de consumidor, mais exigente e mais informado.
As novidades no mundo da tecnologia:

   Segundo Glauber, o ponto chave discutido em quase todas as 50 palestras da convenção: o consumidor informado e informatizado. Hoje praticamente todas as pessoas possuem celular, acesso à internet e consequentemente acesso à informação. Buscam e compram produtos pela internet. O aumento do número de transações comerciais realizadas por dispositivos móveis, como celulares, por exemplo, está em constante crescimento. Existem lojas nos Estados Unidos, como a Apple Store – empresa de tecnologia que fabrica e comercializa equipamentos de conveniência e comunicação, como o iPhone, iPad, iPod - em que a venda pela internet supera consideravelmente as vendas das lojas físicas.

- Tive a oportunidade de estar em uma delas e o que mais me impressionou é que a loja não tinha Caixa. Isso mesmo, não tinha lugar para “pagar” o que se comprava. O pagamento é aceito somente com cartão de crédito e é realizado diretamente para o vendedor, que atende utilizando um celular acoplado à um kit com leitor de código de barra e leitor de cartão de crédito. O processo de venda é muito prático e simples, você escolhe um produto, chama um vendedor que com o celular realiza a leitura do código de barras, passa o cartão de crédito e a nota fiscal e recibo são enviados por e-mail. Em outra loja tive uma experiência semelhante, porém mais peculiar ainda e que demonstra como as empresas devem se adaptar ao consumidor. 

   Na loja da BestBy – uma das maiores lojas de eletrônicos dos Estados Unidos – o cliente pode, dentro da loja e usando um telefone celular, fotografar o código de barras do produto e, através de um software fornecido pela própria BestBuy e que é instalado no celular, comparar o preço daquele produto com os de outras lojas. Mas qual o objetivo? A BestBuy cobre o valor caso o produto de outra loja seja mais barato. Ela, inclusive, também oferece a opção de você pagar pela mercadoria direto pelo celular sem precisar passar por algum caixa. Estes dois exemplos de experiências que tive lá foram apresentados em duas palestras e evidenciados como o grande diferencial das empresas de varejo para os próximos anos: a entrada na era digital não é mais diferencial competitivo, já passou a ser obrigação, revela Glauber.
- Hoje qualquer empresa está concorrendo com empresas espalhadas pelo país inteiro. Quem alguma vez já não comprou alguma coisa pela internet como eletroeletrônicos, DVDs, livros, calçados, etc, e com o preço bem mais em conta?, indaga.
   Conforme Glauber, é claro que a mudança de comportamento não reflete somente no que diz respeito à tecnologia, ou seja, tecnologia é muito importante e precisa ser aplicada juntamente com a mudança de cultura de varejo. 
- Para exemplificar isso posso descrever outra experiência muito interessante que tive em várias lojas de moda de Nova York. Em praticamente todas que visitei o ambiente interno da loja acabava seduzindo o cliente, buscando atraí-lo através da visão, olfato e audição. As lojas possuíam um esquema de iluminação conforme o tipo de produto que estava oferecendo. O mesmo para o olfato, o ambiente era perfumado com uma fragrância específica para o tipo de consumidores que desejavam atrair ou produto que estava sendo vendido. O mesmo para o tipo de música. Nesta combinação a loja que mais me chamou a atenção foi a da Abercrombie & Fitch, que fica na 5ª avenida em Nova York. O público alvo deles é o público jovem que gosta de balada, por isso a música é muito alta, o perfume cítrico e a iluminação baixa, remetendo o cliente à sentir-se realmente numa balada. Inclusive os atendentes e os caixas entram no clima. Realmente uma experiência muito interessante. Essa foi uma característica que evidenciei em várias lojas, o perfume, o som e a iluminação de acordo com o tipo de produto e o público alvo. No Brasil essa prática também é comum.
- Todas estas experiências que tive visitando tanto o evento como as lojas mostra que o varejo está mudando e as empresas precisam se adequar à este novo perfil de consumidor. O varejo precisa ser reinventado, renovado e quem sair na frente com certeza terá uma grande vantagem competitiva no mercado, analisa Glauber.
   Para Glauber, viajar para Nova York foi mais do que uma experiência profissional. - É uma cidade fantástica onde tudo funciona em virtude do turismo. A Times Square, Broadway e a 5ª avenida são as mais movimentadas, com muitas luzes e muita gente. Nem mesmo as fortes nevascas, como a do dia 11 de janeiro, espantam os turistas, que aproveitam estes momentos para tirar fotos. É uma cidade realmente impressionante. Tive a oportunidade de assistir um musical na Broadway chamado “Old Chicago”, um verdadeiro espetáculo. Esse programa não pode ficar fora do roteiro de quem pretende viajar pra lá, aconselha.
   Para os interessados que gostariam de maiores informações sobre a convenção da NRF, podem acessar o site www.mundodomarketing.com.br que fez a cobertura oficial do evento para o Brasil.

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